"Um Diálogo nas Sombras - ou fora delas."
Os profissionais da comunicação do Tocantins, como os da Redesat, não podem ser colocados numa ilógica de perdas inexplicáveis, apenas porque valeu o tecnificismo, por exigência burocrata, sobre a eficiência de muitos profissionais que tem talento.
Não que os reconhecidos técnicos aptos em sua profissão (neste caso, a Comunicação) não tenham talento - ora, também na classe dos profissionais sem diploma há aberrações grotescas em maior número, justamente pela falta de acesso à formação superior, ou por estar numa cidadezinha do interior do país, ou por limitação intelectual ou por trabalhar em excesso para garantir seu sustento, porque se em Palmas as empresas de comunicação já pagam no seu limite operacional, imagine numa emissora de rádio/tv ou num jornal impresso do interior?!?!?!
Não obstante, e por conta disso mesmo, é que a formação superior na área é necessária, mas só o diploma não dá talento da noite pro dia.
Sou profissional da comunicação, jornalista por tempo de atuação - 21 anos em outubro deste ano - e estudante do curso de Comunicação Social, por entendimento de que a formação superior me valerá os anos em que não pude concluir a faculdade por três vezes, pois ganhava pouco e compensava trabalhando o triplo para sustentar família. Nunca me vali da ausência do curso para me limitar - lia, estudava em casa, fazia oficinas: cursos possíveis naquilo que eu tinha de pouco tempo para estudar, quando o trabalho deixava.
Falta de melhor salário, carga horária dobrada, condições de vida abaixo da média condicionam problemas futuros que impossibilitam até, em muitos casos, que o jornalista sem diploma se capacite. E ausência de uma capacitação técnica, possibilita os erros e cometimentos não tão incomuns que pulam até sobre uma questão ética, como eu mesmo já cometi e como muitas empresas e profissionais de grande porte ainda cometem - e olha que eu estou longe da capacidade deles em observância apurada e apupo intelectual. Aprendi com o erro e tomei o caminho da qualificação e da autoanálise mais rígida sobre meu trabalho.
Por isso, creio que o SINDJOR que tanto tem trabalhado - na medida de suas condições financeiras ou de pouca autonomia por causa do baixo número de associados - deveria comprar essa briga aí e buscar, conversar com as instituições de ensino (faculdades privadas que topassem cobrar mensalidades abatidas ao passo que o sindicato abriria filiações a estes profissionais, recolhendo assim mais mensalidades e estabelecendo com eles um acordo de tempo máximo de formação para que ainda continuassem disputando por igual com os habilitadamente técnicos os salário de mercado - ou seja, facilitaria a vida daqueles que não tem condição financeira de pagar uma universidade ou de ter tido a oportunidade e sorte de passar num vestibular da UFT e assim poder se associar, gerar divisas para o sindicato, aproveitando das parcerias que o sindicato teria fechado com universidades, se formar, e incorporar-se, como associado, à massa de mobilização do sindicato uma ampliação à força representativa da entidade, como uma instituição mais forte e com notório poder formador de opinião) e ou de trabalho (como no caso o Governo, através da Secom).
Mas, quem é técnico discordará desta proposta e dirá: - mas é muito bonito, mesmo! Eu ralei quatro anos pra um cara desses vir tirar minha vaga no mercado!". É claro que alguém irá. Mas, meu caro, eu conheço um sem número de jornalista que passou pela universidade, aqui mesmo em Palmas, na maciota, se escondendo em atividades estudantis, pra abonar falta em matéria indesejada, mas integrante obrigatória da grade curricular.
Conheço uma penca que não tem opinião formada (sobre tudo) ou que nem consegue escrever uma lauda sem que um erro ortográfico ou de concordância nominal ou mesmo verbal não nos salte aos olhos. Apelar pro discurso sandinista sindicalizado não se leva em conta, da mesma forma que não se leva em conta o profissional que tem orgulho de sua ignorância.
Enfim, Sindjor tome logo conta dessa negociação, conversando com o Secretário Arrhenius Naves, que é notadamente conhecido por todos nós, jornalistas da área, como um diplomático e democrático profissional em sua atuação, e sugira logo propostas imediatas para que se evite essa tragédia.
Creio que o Secretário pode ter optado por uma medida administrativa agora, sem ter notado muito do que isso representa em desvalorização de colegas no mercado de trabalho, por não ter procurado ouvir o que pensava o sindicato e os não-sindicalizados, que, tanto fazem parte da categoria, como estão sendo visivelmente prejudicados nesta decisão. Uma conversa, agora, ajudará muito e é o que está faltando: um ajuste de obrigações e interesses que zelem pelo bem comum.
(Fredson N. Aguiar)
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