quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"Sarau na Casa do Rao"






Fui num pagode na Casa do Rao...








Na 206 Sul, distante e acima, distante bem longe em andares súbitos daquele vazio que se espalma nos espaços térreos dos apartamentos funcionais de Brasília; mas próximo, bem próximo do silêncio que habita as finas paredes que separam a individualidade de cada habitante destes prédios semelhantes aos conjuntos habitacionais de Moscou, habita uma loucura cultural hindu-jazzística, que foge a compreensão de quem tem ouvido de menos e cuca fechada demais.


Foi numa noite dessas, muito bem acompanhado por minha gata, que pude conferir o quanto se celebra a Catedral do Som PluriCultural, espaço Picasso sem Baixo Astral, no Sarau de Anand Rao (o gigante gentil de camisa vermelha).


O Rao é um Raj, do The Big Bang Theory, às avessas - nada tímido, nem astrofísico, nada matemático, mas pura loucura na construção de seus relatórios jornalísticos e na burilação de sua música dodecafônica, que desarranja sutilezas de escalas em tons e semitons e propaga um som construído de improviso, com letra de improviso e viagem de improviso.



Já se tornou - em seu universo seleto e com hora pra terminar, 22h, senão a vizinha do andar de cima bate a vassoura no chão e intima pra baixar a macrofonia - um compromisso da happy hour de amigos mais íntimos ou dos que curtem uma boa música, regada a muito bolinho de bacalhau, saber que na noite de sexta tem um Sarau na Casa do Rao.



Laura e eu descobrimos que, entre incursões radicais do Jazz que executa todo ano em Montreux e as músicas incidentais que amigos não menos talentosos costuram em suas teias indianas, o Rao é um bonachão - bicho-grilo sem firulas e direto ao assunto (melhor que Nêumanne Pinto), sempre inspirado pela presença da platéia que transmigra o olhar atento de sua mais importante jurada e fiscal de lei-seca, a harmoniosa Agnes, sua simpática esposa; além de um papa-léguas a 10 mil por hora e dalit zen-cerveja.


Conheci Rao no trabalho e nunca imaginei que em Brasília - imaginando tudo - poderia encontrar tão rapidamente uns Bandoleiros do Chick Corea concentrados num pequeno espaço chamado de "Baskhara Rao" - que nada mais é do que a sala do figura, que ele nomeou em homenagem ao pai, um indiano que lhe disse que dessa "vida só se leva a farra." Espirituoso, não??


O certo é que o Rao sabe que a contribuição de sua música alimenta os poucos descendentes de Ravi Shankar que lhe aguçam as notas com que trança o Som. Os amigos são a inspiração para suas composições - e até minha mulher recebeu também sua homenagem em letra de improviso e música não menos... O sarau da sexta foi em sua graça.


Nunca provei comida indiana, nem fui ao Rajastão, não andei de elefante e pouco pretendo virar pó às margens do Ganges, mas posso dizer que a música indiana desse beatnik de Brasília faz a Índia mais próxima em nossa aura, do que supunha imaginar o matemático Baskhara no cálculo da Teoria das Cordas do violão mais próximo; mas nem de longe do que poderia imaginar o velho bom vivant Baskhara - o pai do Rao - que de algum lugar daquela sala sabe que o filho seguiu seu conselho à risca: gostar de uma boa farra, mesmo que com hora pra acabar...


Nada como um filho que segue um bom e sábio conselho paterno.



(F.N.A)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"Onde a onça bebe água"

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Lá no sítio de meu pai, uma onça tinhosa achou de começar a matar o gado próximo a uma represa. Armados, que nem deputado em dia de safari, seguiram pra fazer a 'espera', meu pai e meu tio, Manim, na cabeceira da velha ponte que cortava o lago. Isso era lá nos anos 70, quando preservação ecológica na Amazônia não se traduzia, mas sobrevivência na selva era uma apostila de permanência na terra.

A onça, como que adivinhando a tramóia, dava descanso no abate das reses. Daí, os caçadores sem foro permaneciam por ali dias a fio... E nada.

Belo fim de tarde, meu tio que seguiu sem arma, nem pólvora e sem faca, pra beira do açude pra tomar banho, quando estava desapercebido (se lavando pra janta de mais um pouco), mergulhou e no que boiou... lá estava a bichana olhando pra ele. Nunca nadou mais rápido na vida. Daí, pra ter de novo a oportunidade de matar a fera...

Tio Manim pecou porque subestimou animal arisco em seu habitat - mesmo tendo sido uma velha onça.

Fui lembrar dessa estória da infância, quando comecei a ler sobre o ocaso do líder do PMDB, ou "o governador do Bico", como se intitulava, Osvaldo Reis - vítima de ações políticas (naturais) dentro de seu próprio cercado.

Osvaldo, que já foi matreiro (e creio que ainda é), astuto (como um felino), desconfiado (igual cavalo que entrou dentro de casa) e inchado (como um cururu tetei) envelheceu em sua própria floresta e não viu a chegada de outras feras na porta de sua toca. Se viu (e viu!), tentou rosnar, combater, mas faltou unha afiada pra dar a patada no corpo a corpo.

Osvaldo é um caso interessante de líder tocantinense. Não diferente de outros que surgiram, soube comportar sua base na região norte do Tocantins como um 'Pai': a todos providenciava ajuda, à sua maneira, e dessa força se aprazia tendo sido eleito várias vezes para cargos públicos.

Mas, Osvaldo, a velha fera, não contou com a nova safra da mudança, da modernidade, da celeridade que é a conquista de territórios dentro da política sempre faminta e voraz do dia a dia, onde não se pode dormir com olhos fechados e muito menos se pode fazer barulho, senão vira janta.

Os novos peemedebistas, mais próximos do Palácio em razões geográficas e políticas, foram lhe engolindo aos poucos, como uma sucuri engole um novilho depois de quebrar-lhe os ossos, asfixiando-o primeiro.

Mas não foram apenas razões que a própria razão desconhece. Foi apenas a Lei da Selva.

Cercado por escolhas erradas em apoios titubeantes, conflitantes com o ex-governador, com o PMDB, além de quando se aliou a Gaguim e se desaliançou de tudo e de tudos, o velho político perdeu espaço. E nessas horas a máxima de Getúlio Vargas é sempre uma verdade inquestionável - "a política vive da traição, mas liquida os traidores."

Se traiu ou não traiu colegas ao longo da vida política, não se conta, afinal a inconstância partidária e o apoio escamoteado fazem parte do processo dessa máquina de moer carnes mais sensíveis.

O certo é que quem manda no PMDB, agora, é o sangue novo que destituiu o passado da legenda. E tudo isso à custa de arranjos, composições e antecipações que Osvaldo não soube perceber no cheiro de perigo que avançava pela floresta, mas que não lhe chegou ao olfato - dormia quem sabe um sono esplêndido ou não conseguia acordar do próprio pesadelo.

Mas, até mesmo um velho político sabe dar seu pulo de banda, como um animal acuado, prestes a ser sacrificado. Não creio que Osvaldo esteja num fim sentenciado. Apenas não tem forças, agora, pra continuar se alimentando. E nem só de força bruta vivem os seres da Terra - se fosse assim, com apenas a força prevalecendo (e não a estratégia e a astúcia), as harmonias vigentes numa selva não teriam animais que se adaptam para sobreviver - e política é adaptação em sua carga mimética máxima.

Não acredito que Oswaldo deu seu último suspiro - descontando qualquer comentário sobre vida pessoal, até porque foro íntimo só a cada um lhe cabe. Para mim, ele é como aquela onça no sítio de meu pai, lá 30 anos atrás: sabe o córrego em que caça no fim do dia.



(Fredson N. Aguiar)



P.S - Há quatro anos, todos sentenciavam que Siqueira estava morto e enterrado. Todo mundo viu no que deu...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

“Mandinga não é Crime!!”

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Quando nem os sinais exteriores de riqueza são tomados como um início de prova, lembrando Rui Barbosa, chega-se à vergonha da honestidade mantida. (Walter Ceneviva, advogado, em artigo na Folha de S.Paulo, janeiro de 2000)




Por motivos alheios à própria condição humana de se valer do grotesco para regular o normal; de aprazermo-nos das ignominiosas vicissitudes da vida mundana para quebrar o fino espelho que norteia a vida daqueles que seguem valores e comportamentos sociais impostos na vida privada ao longo de milhares de anos, num código comportamental antropológico que mais nos enjaulou do que nos libertou; por entender que as virtudes são lampejos breves na consciência darwiniana implícita em nossos genes e que nos apraz pela luta mordaz e pela prevalência do mais forte, é que não me surpreendo mais com as anomalias do Poder que surgem e se evaporam na linha do tempo.

Mas aqueles que surgem e se evolam no ar, como gás hélio, são os resistentes, os aprisionados em convenções sociais e que se regulam por sentimentos plantados ao longo de um solene catecismo cristão em vícios da colonização quinhentista sobre os ameríndios – e não menos sobre australianos, indonésios, filipinos... – e que tanto fez brotar, com o perdão do sermão dos Bem-Aventurados, o lado mais confuso de amor ao próximo sem nos possibilitar a escolha de hesitarmos em não amar o próximo. E não cabe aqui o livre arbítrio, afinal, a domesticação não nos foi perguntada se deveríamos por consenti-la.

Àqueles que se norteiam por valores e vínculos morais como o amor, a caridade, a temperança, o senso de Justiça, a humildade, a compaixão, sinto lhes dizer, mas como os fumantes que diminuem em escala assombrosa, nos bares onde nem mais poderia surgir Verlaine, Rimbaud ou Lautrec, por conta do bom mocismo higiênico e fisicultural, vós, cada vez mais, raros mensageiros da boa nova, estais em franca extinção.

Todo esse prosaísmo de quem acordou acreditando que o John Milton em si poderia romper com as amarras além serve apenas para justificar o óbvio – não há mais espanto em saber que juízes, que velam em hipóteses mais frouxas o compêndio de códigos morais que deveria nos reger em sociedade, estão cada vez mais menos humanos e mais selvagens. Vale a Lei do mais forte sobre a ausência da Lei de Direito; vale o canhestro sobre o aceitável; o arroubo da má fé sobre a fé que não existe em larga escala.

O episódio que envolve os nomes dos juízes do Tocantins em esquemas assombrosos – bem mais que os rituais de mandinga para afastar desafetos – não me surpreendem e nem surpreendem a ninguém.

Ora, quem não se vale, à sua maneira, do oxalá, do Pai-Nosso, da oração ao Caboclo Sete Flechas, dos sutras, dos Vedas, da reza braba, da arruda, do sal grosso nos cantos da casa ou num pote recheado de pimentas para afastar o mau olhado ou inimigos que ameaçam romper nossas portas??

Não condeno as mandingas do juiz que apelou pras forças sobrenaturais para combater as forças que lhe eram tão naturais - sua incapacidade para superar os desafios não é tão diferente daqueles que não conseguem superar indisposições em seu próprio ambiente de trabalho.

Ora, faça uma força e lembre-se: quem já não maldisse outro colega ou armou planos e artimanhas para feri-lo na moral, na confiança junto ao chefe ou se agrupou em panelinhas para eliminar um desafeto?

A questão aqui não é o culto ao desconhecido para que dos céus desça a proteção de força necessária – o sol amarelo de Jor-El sobre o Superman; o anel galáctico do Lanterna Verde; o supremo Aeon do poder criacionista na composição e arranjo dos mundos – e que isso seja o fator determinante para que um juiz erre aos olhos vistos da sociedade. A questão é outra...

No livro “Os juízes no banco dos réus” do jornalista Fernando Vasconcelos (Publifolha / 2005), uma série de reportagens que dissecaram os processos de membros do Judiciário com a prática de crimes contra o patrimônio público, esmiuçou e revelou à sociedade brasileira (sempre espantada em sua ingenuidade provinciana), como juízes como Nicolau dos Santos Neto e João Carlos da Rocha Mattos se portavam e mostravam que eram mais bandidos que muitos bandidos presos ou soltos por aí.

O livro – um apanhado que, hoje, faria corar de vergonha o próprio autor, mediante tão desajustada relação entre público e privado que se agravou nos últimos anos (ou que apenas agora tenhamos conhecimento de algo que sempre existiu, mas que permanecia velado) – é de uma crueza simplória e enfática: revela bastidores, documentos, gravações e situações que vão desde a condição mais vexatória ao fato mais pérfido da condição de quem se vale do cargo que ocupa para se sobrevaler sobre os demais.

Nada supera em grau de perversidade moral – com exceção aos doentes na alma e psicopatas em geral – um homem que, consciente de seus deveres (rigorosamente catequizado no reflexo condicionado de Pavlov), se regozija da anomalia social para fazer valer seus desejos mais privados – sejam eles, materiais ou hedônicos.

Valores conflitados, juízes deflagrados, esmiuçados como deveriam pela sociedade sempre surpresa (e isso é que dá esperança àqueles virtuosos homens de caráter que estão em extinção - não a patrulha moralizadora), agora é a hora de fazer valer o ensaio criterioso do julgamento nos tribunais sobre ações que destoaram do rigor convencional e que os regia por força do estatuto do magistrado.

Agora, condenar o sujeito por sua crença e a forma tribalista e supra-irracional com que ele desancanava seus desafetos, arregimentados com aquele olhar punidor de cardeal da inquisição, não convém nem a jornalista, nem às Igrejas Cristãs ou congêneres, ou mesmo a seus pares.

A crença do sujeito é particular – e ele poderia divinizar dentro de casa um totem de processos emperrados ou um santo das causas impossíveis (Santo Expedito não vale) em sentenças jurídicas que só se moveriam conforme a doação de rendas aos sacerdotes do tribunal, que mesmo assim ele não poderia ser vítima de escárnio por suas medidas destemperadamente religiosas.

Se o cara é macumbeiro, o que é que tem? Conheço uma cambada que reza com terço na mão, na Casa de Maria, e que banca campanhas solidárias, ou mesmo que sobe nos púlpitos dos templos evangélicos, recheando os outros de conselhos sobre seus valores morais, que é mais precisa em eliminar desafetos que muito atirador Sniper em solo Iraquiano.

O que não vale é matar para justificar seus atos. Mandinga não é crime! Assassinato, sim. E se mandinga for crime, os afro-descendentes do país estão no sal e metade dos brasileiros está ferrado, porque de uma forma ou de outra convergem em contar sempre com uma ajudazinha a mais do que só o Bom Rabino poderia interceder ou dedicar a cada filho seu.

Limitemo-nos a escancarar a farra dessa turma sobre o que é público e que é pago por nossos bolsos.

Agora, sensacionalismo com oxalá dos outros é de uma pobreza espiritual tão infinita, como magistrado sem conhecimento de valores morais e códigos de ética. Pior, é retroceder enclausurando a livre manifestação religiosa, prevista na Constituição, confortando o que há de mais pelego em sociedades hipócritas – o olhar sentenciador daqueles que mais pecam, do que poderiam assumir em público sem corar de vergonha.



(Fredson N. Aguiar)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"Um Diálogo nas Sombras - ou fora delas."

"Um Diálogo nas Sombras - ou fora delas."



Os profissionais da comunicação do Tocantins, como os da Redesat, não podem ser colocados numa ilógica de perdas inexplicáveis, apenas porque valeu o tecnificismo, por exigência burocrata, sobre a eficiência de muitos profissionais que tem talento.

Não que os reconhecidos técnicos aptos em sua profissão (neste caso, a Comunicação) não tenham talento - ora, também na classe dos profissionais sem diploma há aberrações grotescas em maior número, justamente pela falta de acesso à formação superior, ou por estar numa cidadezinha do interior do país, ou por limitação intelectual ou por trabalhar em excesso para garantir seu sustento, porque se em Palmas as empresas de comunicação já pagam no seu limite operacional, imagine numa emissora de rádio/tv ou num jornal impresso do interior?!?!?!

Não obstante, e por conta disso mesmo, é que a formação superior na área é necessária, mas só o diploma não dá talento da noite pro dia.

Sou profissional da comunicação, jornalista por tempo de atuação - 21 anos em outubro deste ano - e estudante do curso de Comunicação Social, por entendimento de que a formação superior me valerá os anos em que não pude concluir a faculdade por três vezes, pois ganhava pouco e compensava trabalhando o triplo para sustentar família. Nunca me vali da ausência do curso para me limitar - lia, estudava em casa, fazia oficinas: cursos possíveis naquilo que eu tinha de pouco tempo para estudar, quando o trabalho deixava.

Falta de melhor salário, carga horária dobrada, condições de vida abaixo da média condicionam problemas futuros que impossibilitam até, em muitos casos, que o jornalista sem diploma se capacite. E ausência de uma capacitação técnica, possibilita os erros e cometimentos não tão incomuns que pulam até sobre uma questão ética, como eu mesmo já cometi e como muitas empresas e profissionais de grande porte ainda cometem - e olha que eu estou longe da capacidade deles em observância apurada e apupo intelectual. Aprendi com o erro e tomei o caminho da qualificação e da autoanálise mais rígida sobre meu trabalho.

Por isso, creio que o SINDJOR que tanto tem trabalhado - na medida de suas condições financeiras ou de pouca autonomia por causa do baixo número de associados - deveria comprar essa briga aí e buscar, conversar com as instituições de ensino (faculdades privadas que topassem cobrar mensalidades abatidas ao passo que o sindicato abriria filiações a estes profissionais, recolhendo assim mais mensalidades e estabelecendo com eles um acordo de tempo máximo de formação para que ainda continuassem disputando por igual com os habilitadamente técnicos os salário de mercado - ou seja, facilitaria a vida daqueles que não tem condição financeira de pagar uma universidade ou de ter tido a oportunidade e sorte de passar num vestibular da UFT e assim poder se associar, gerar divisas para o sindicato, aproveitando das parcerias que o sindicato teria fechado com universidades, se formar, e incorporar-se, como associado, à massa de mobilização do sindicato uma ampliação à força representativa da entidade, como uma instituição mais forte e com notório poder formador de opinião) e ou de trabalho (como no caso o Governo, através da Secom).

Mas, quem é técnico discordará desta proposta e dirá: - mas é muito bonito, mesmo! Eu ralei quatro anos pra um cara desses vir tirar minha vaga no mercado!". É claro que alguém irá. Mas, meu caro, eu conheço um sem número de jornalista que passou pela universidade, aqui mesmo em Palmas, na maciota, se escondendo em atividades estudantis, pra abonar falta em matéria indesejada, mas integrante obrigatória da grade curricular.

Conheço uma penca que não tem opinião formada (sobre tudo) ou que nem consegue escrever uma lauda sem que um erro ortográfico ou de concordância nominal ou mesmo verbal não nos salte aos olhos. Apelar pro discurso sandinista sindicalizado não se leva em conta, da mesma forma que não se leva em conta o profissional que tem orgulho de sua ignorância.

Enfim, Sindjor tome logo conta dessa negociação, conversando com o Secretário Arrhenius Naves, que é notadamente conhecido por todos nós, jornalistas da área, como um diplomático e democrático profissional em sua atuação, e sugira logo propostas imediatas para que se evite essa tragédia.

Creio que o Secretário pode ter optado por uma medida administrativa agora, sem ter notado muito do que isso representa em desvalorização de colegas no mercado de trabalho, por não ter procurado ouvir o que pensava o sindicato e os não-sindicalizados, que, tanto fazem parte da categoria, como estão sendo visivelmente prejudicados nesta decisão. Uma conversa, agora, ajudará muito e é o que está faltando: um ajuste de obrigações e interesses que zelem pelo bem comum.


(Fredson N. Aguiar)